terça-feira, 24 de maio de 2011

O andar dos versos


O andar dos versos

Surpreendo-me com a facilidade das palavras
Escrever é fácil
Repetem-se as letras, juntam-se as silabas,
Perdem-se os sentidos, misturam-se sentimentos
Na facilidade da escrita
Na dificuldade da transcrição
Na decência que confessas
Na infâmia que deliras.
A porta fechada com música aos berros comemora
É o som do triunfo;
É o cintilar da essência
No sorriso dos versos que demonstra o delírio
No choro que consome a realidade dos sonhos superficiais
Nos versos com sentido,
Versos delirantes,
Versos que recordo,
Versos de aconchego,
Versos que não canso de enfileirar.
Andar é fácil,
A direção, bom, aí não sei.
O destino pode ser o objetivo
Mas, é o caminho que traça a beleza do destino
Andar,  sorrir, escrever
Tudo tão simples, tudo tão obvio, tão próximo
Ande ou escreva, escreva andando, ande escrevendo
Não deixe de notar e anotar a beleza do caminho
Para que em seu destino sinta-se livre para uma nova jornada.

Daniel Albherto Gabiatti

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Algo sobre Amor, Caminhos e Memórias



Algo sobre Amor, Caminhos e Memórias
 
Dois corpos, mentes, caminhos e destinos
O amor contraria as leis físicas, as leis humanas
É o que move o mundo,
É aquilo que fulge a existência
Quem poderia esquecer o brilho dos momentos especiais?
Todos lembram seus momentos, sentem a magia, a leveza, todos amam.
Sorria, sinta, dance, ame
                                               Ame Momentos…
Desde um olhar a chuva de pétalas de rosas
De um bilhete a uma carta
De um sorriso a um jogo de boliche
Dos olhos ao coração
Do momento ao destino
Abrace a loucura, dance e brinde-a
Já disseram, foram julgados loucos por aqueles que não eram capazes de ouvir a música.
Ouça a música, sê a música de teus passos
                                               Construa memórias
A vida não passa de memórias
Não te renda à miséria de memórias vãs
Construa tuas memórias, sim, construa com valores
Preencha tua existência, viva teu destino
Crê no destino, crê nas memórias, crê no amor
Dos Caminhos restarão as Memórias e destas restará o Amor.

Daniel Albherto Gabiatti

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mesmas respostas…



Mesmas respostas…

                                          Entender…
Não tente lhe entender
São vários que atuam sobre o mesmo corpo
Personagens, sim, de uma existência que ainda procura direção
                                          Respostas…
Tens sorte ao encontrar o verdadeiro que conheces
São anjos ou demônios, crianças ou adultos
É aquele que semeia admiração nas almas próximas
É, também, aquele que acredita procurar sobras da existência que outrora brilhara
                                          Ainda fulge…
É completo em suas frações
Harmonicamente todos formam o eu que não entendo.
São todos, sem exceção, aqueles que preenchem a existência.
Já brilha tanto quanto o sol da meia noite,
Não contente, busca força para continuar subindo
Não esquecera as pedras do caminho
Construiu com elas seu altar
Sem repúdios ou remorsos
                                          Temores…
Teme àquilo que não se encorajou a fazer
Tem tudo nas mãos
Ainda assim procura exatidão em seus movimentos
Não dá ponto sem nó
Muito menos arrisca a partida pela dama adversária
É assim que sai deste mundo
É assim que a tudo tenta superar
É assim que vê ao inverso o mundo girar
É assim que acredita encontrar a redenção
A tudo percebe, tudo se resume a percepção
                                          Percepção…

Daniel Albherto Gabiatti.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Conselhos


Conselhos

Anos e mais anos vão para o passado passando por nossas cabeças
Passando por nossas vidas
Passando, apenas passando
Não deixe os anos passarem
Mais importante que o passar dos anos é o viver dos dias
É o acordar pela manhã
É o sentir, cheirar, tocar, ouvir, falar, é o andar;
Também é o pressentir
É a sensibilidade que a tantos falta.
Não espere que a vida seja boa, faça-a boa
Não espere, desperte, acredite
Tenho avisado, muitos dizem, muitos avisam
Mas e aí?
Quem liga pra alguém que escreve conselhos na madrugada?
Se conselho fosse bom, seria vendido e não dado, segundo alguns…
Conselho? Desabafo? Despertar? Reflexo?
Chame do que quiser.
Leia, sim leia, pratique, sim pratique.
Por mais que sintas que o mundo de certa forma não é bom,
Faça-o melhor, faça do seu jeito
A fórmula é simples: Queres algo bom, faça você mesmo.
Viva você sua vida.
Escreva seus conselhos
Materialize seus planos
Compre conselhos escritos nas madrugadas por alguém louco o bastante para acreditar que o mundo gira ao avesso
Por alguém que mal conheces
Por alguém que apesar de tudo quer e vai lhe ajudar,
De certa forma irá ajudar, assim espera..
Ouça o que ele diz
Ouça e entenda
Entenda que a vida pode ser simples
E conselhos não são mercadorias, são presentes, estão em toda parte
Estão em todo lugar
Apenas ouça, sinta, veja, receba-os.

Daniel Albherto Gabiatti

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Querer Sonhar



Querer Sonhar

Valoriza tanto seus sonhos
Nas lagrimas de seus olhos,
No sorriso de seus lábios,
Na imaginação da sua mente,
Principalmente na liberdade de seus sapatos
Liberdade sitiada por sentimentos
                                          Querer sonhar,
                                          Dois verbos,
                                          Duas intenções,
                                          Uma realização fictícia
                                          Distribuída em momentos tão reais quanto a vontade
Doce inocência travestida de malícia
Aos olhos ofuscados pela impureza das informações absorvidas.
Nobreza de um coração que desperta descrença
Descrêem os desavisados
Pobres espíritos jovens que tanto tem a aprender.
                                          Tanto recusam a aprender
Coração que move suas mãos em direção a versos de romanesca sobriedade.
Dá sentido e sente as palavras em seus versos
Palavras simples, mas imponentes para seu espírito;
Figura personagens em seus textos
Sublima emoções inserindo doces lembranças do que não vivera,
Move seus punhos ao desconhecido universo de sua mente,
Sente a incrível sensação de formar versos distantes de sua realidade,
Mas tão próximos de sua imaginação.
Molda sua existência nas próprias palavras profetizadas por seus punhos.
Aprende com seus ensinamentos
Por mais que nada de concreto queira demonstrar
Entende que cada figura,
Cada lapso de sobriedade ou fantasia
Emerge do seu eu que tão pouco conhece.
Então,
Valoriza tanto seus sonhos
Valoriza seus anseios
Valoriza seus versos
Quer tanto sonhar,
Sonha para viver
Vive a sonhar
                                          Siga seus sonhos, sim.
Sonhos que acompanham os anos
Que brilham em seu olhar de criança
São eles quem moldam sua existência
São eles que guiam seus versos
São eles que dirão quem serás;
Quando a inocência ceder lugar a seriedade
E seus sapatos não mais flutuarem
A capacidade de sonhar ditará o ritmo de seus passos.
Siga seus sonhos, sim, sinta seus sonhos
Há tempos há tempo.

Daniel Albherto Gabiatti.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Música e Momentos


Música e Momentos

Sinta a energia da musica
Música que pulsa em seu peito
Música que traz consigo bons momentos
Boas vibrações
                                          Ó minha doce criança
                                          Ó meu doce amor
Por vezes temera em ouvir a musica que ecoa em seu peito
O ser humano é supersticioso
Teme o desconhecido
Teme até mesmo o que conhece
Recusa-se a ouvir a musica que corre em suas veias
O som que guiou suas atitudes
O som da virtude, o som da gratidão, do amor, o som da vida
É este o som que move seus passos
Que bem lá do fundo chama, lá do fundo guia;
O agora está chamando
E a música ressurge, o volume gradativamente aumenta
Eis que;
                                          Aonde iremos agora?
                                          Aonde iremos?
As perguntas, claro sempre elas
Que seja, deixe-as aparecer
Sem perguntas, sem respostas, obvio.
As respostas aparecem quando a pergunta é feita
Saiba perguntar para saber responder
É preciso amar, é preciso se entregar
Entrega-te a música que lá do fundo retina
Conversa com as vozes que assombram
Usa teu medo
Gostando ou não dele, provavelmente o terá como companhia
Impulsiona tua vontade e tuas habilidades
Pacientemente flerte com os medos,
Não te farão mal, desde que não lhe tirem do teu caminho
Com medo ficamos mais atenciosos, perspicazes
Novamente, que seja, sinta
Querendo ou não sentirá.
Permita-te ouvir, sentir, usar, permita-te viver.

Daniel Albherto Gabiatti

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Apenas um palpite


Apenas um palpite
 
Olhe os livros velhos na estante;
Livros que nunca leste.
Se é que tens vontade de abri-los
Quissá terá tempo para ler,
Desculpas brotam aos punhados
E nas empoeiradas prateleiras ficam esperando;
Tu te acostumas com a imagem perfilada dos títulos horizontais
O tempo passa, tu envelhece, teus livros não…
O mesmo acontece com os sonhos
Parecem livros na estante do coração
                                          Abra o livro do destino
                                          Abra o livro dos sonhos
                                          Abra o livro da vida
Se não percebes, o tempo passa
Mesmo que te preocupe em perceber, o tempo passa
Já passou e muito, bem sabes disso
Deseja voltar no tempo
Deseja que alguém retire o pó da estante e lhe diga: leia
                                          Seja aquele que percorre as estantes do coração
                                          A biblioteca é fantástica
                                          Os livros em branco
                                          Aguardam que sua caligrafia dite o rumo de sua existência
Deixo aqui apenas um palpite
Abra o livro do destino,
Abra o livro dos sonhos,
Abra o livro da vida.
Retire o pó da estante
Abrace a verdade, o amor e a glória de sua história
Não apenas queira: Seja.
.
Daniel Albherto Gabiatti.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Transcendência


Transcendência

Lá esta, fervendo na loucura dos sentidos
Saboreando seu cálice de veneno,
Imersa em seu negro buraco.
                                          Que seja essa a verdade que desejas
Escraviza-se em litros vazios,
No calor das cinzas pelo chão.
Confunde-se com a realidade que planejara.
Aponta o caminho: sua alma clama, seu corpo chora
Aprenda criança com o anjo que sorri,
Aprenda a importância do destino
                                          Abra tuas mãos
                                          Abrace teu caminho
                                          Brinda tua nova vida
Corre de tudo, de todos,
Daquilo que fora,
Da luxuria que lhe sufocara
Segue rumo à luz, agora já sorri,
Flerta com suas sátiras
Com passado que não é mais seu
Não há choro,
Não há mais lagrimas,
Seu passado é prólogo da nova vida,
O calor das noites frias que viveu se une à energia de seu sol noturno
Sol que brilha como seus olhos
Olhos que fitam o anjo que acima das nuvens paira
Angelical é a voz que ecoa aos quatro ventos
                                          Um sorriso pode mudar o mundo;
                                          Um sorriso sincero, de fato muda
Transcende em sua fuga
Cisma sua percepção            
Se perdoar é esquecer,
Quer apenas do seu futuro lembrar
Nada além de ser
Quer apenas viver.

Daniel Albherto Gabiatti

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Essências

Essências

Medo por vezes alucina a noção do mundo
Insano pensamento aguça a mente
Várias variáveis analisadas sob o viés temível
Renasce da ideia semeada no profundo da percepção
Noção dividida em perplexos antagonismos eclode como explosão vulcânica
Para pensamentos soltos em alucinações devassas
Existem segredos que confundem, distorcem a real visão do todo
É oriundo da insegurança existencial do invisível, intocável, indevassável medo
Medo, incerteza, covardia ou lucidez de estar realmente morto
Não sabe da luz emanada da fonte explosiva que alimenta a mente
Vida que renasce trazendo perguntas, desejos e dramas
Essências de uma noção real da existência.

Alexandre Antonito Zampiva*
Daniel Albherto Gabiatti*
* Texto escrito à duas mãos, uma palavra de cada autor por vez.

Chore um pouco


Chore um pouco

Quando o coração é exprimido, aparecem as lágrimas
Lágrimas que purificam, lágrimas que confortam
Lágrimas, apenas lágrimas.
A vida é mesmo intrigante
Por vezes se está bem, por vezes se está mal
A força de um navio não pode ser medida em águas calmas
Ao navegarmos, a vida nos testa
                                          Não somos testados em águas calmas
Somos tentados à inércia pela calmaria, pelo conforto da rotina;
Eis que surge a tempestade,
Com todo o barulho, toda agitação, toda incerteza
As respostas ficam obsoletas
Mudam-se as perguntas
                                          Não temas, a tempestade logo passará
Sabes que seu navio é forte,
O mastro em pé continuará,
As velas, içadas permanecerão
O leme, firmemente guiará.
Olhe, é a Luz que D’ele irradia
Seus Ventos não nos levam por águas inavegáveis
O tamanho da tempestade é equivalente ao tamanho da força que se dispõe
                                         Nunca se está só
Não caminha sozinha, observe tantos caminham, navegam ao seu lado.
É invejada por tantos, sabes disso
Seu sorriso a alguns contagia, a alguns causa inveja
Sorria, sorria a quem merece, sorria a quem precisa sorrir
Descubra sua força
                                          Descubra, creia, seja
O sorriso pode não ser a solução, mas,
Prefiro encontrar a solução sorrindo.
Quanto às tempestades, deixe-as vir, deixe-as ir.
Por mais inconstante que pareça o momento,
Lembra-te, é apenas momento,
Às vezes empurramos tanta coisa que fica difícil continuar caminhando,
Leve consigo viagem adiante o que realmente importa
Preocupa-te em carregar a lembrança da paisagem,
As companhias do destino
Por vezes, purifica-te;
É na água que nos purificamos,
Nas águas da vida somos conduzidos pela Mão que a tudo afaga.
És maior que os momentos de tormenta
És melhor que as armadilhas a ti postas
Se necessário for, chore um pouco
Deixe aparecer as lágrimas que purificam,
As lágrimas que confortam
Lágrimas, apenas lágrimas.

Daniel Albherto Gabiatti.

A real idade da realidade


A real idade da realidade

Quer lembrar Nero
Incendiar cada palmo de mesquinharia e mesmice
Toda zona instalada nas casas do politicamente correto
Casas do medo da diferença, da indiferença, da mórbida semelhança
                                          Plantando preconceitos,
                                          Colhendo violência,
                                          Continuem! Aplausos! Bravo!
                                          Tenha santa paciência…
Casas que disparam moralidade,
Colhem intimidades tão públicas quanto o preconceito nosso de cada dia
Sua moralidade só serve como palanque à sua imundície
                                          Não te cegue com moralidades
As tribunas discursantes dos moralistas são construídas em sangue
Discursa-se com lama até o pescoço,
Brada-se contra a sujeira que inunda os quatro cantos do mundo
Que por sinal redondo é
                                          A cegueira machuca
Morra para viver
Mate para viver
Viva para viver
Mate pré-conceitos
Cultive alegrias
Viva plenamente, viva para frente, para sempre
Por mais que o mundo gire, nunca volta ao mesmo lugar
Por mais que queira ser o que já foste, só serás o que será
Serás aquilo que está por vir
                                          Complica-se tanto o simples
                                          Simplicidade é luxo nos palácios
                                          É vergonha nas palafitas
                                          É falsidade na media entre o nada e o tudo
Sinta a real idade do mundo
Construa a realidade que desejas
Observe, sinta, queira
O que é seu está guardado, guardado em ti, para ti
Em tuas atitudes, teus gestos,
No que pensas, mais ainda, e principalmente no que fazes para ser quem és
A realidade que te consome não é a realidade que produzes
Sinta a real idade do coração
Incendeie, palmo a palmo, a mesmice
Veja as chamas nas pupilas de Nero
É sua a real idade da realidade
Morra para viver
Mate para viver
Viva para viver.
.
Daniel Albherto Gabiatti

Norte à Noite.


Norte à Noite.
Quando a emoção transpassa os limites da retina
Soltam-se as amarras da lucidez
Eis que surge novo norte junto à noite
Noite que paira sob os olhos d’alma
Noite sem luar
Noite que cansei de chamar
Norte que da noite fez despertar
Vejo sua luz, então amanhece, amanheça!
                                           Quanto brilha, parece sonho,
                                          Suas asas, seu rosto, sua auréola
                                          Por onde andei?
                                          Por onde andou?
Queria antes poder dizer que encontrei
Sem procurar, encontrei o que se achava perdido
Encontrei meu sonho que o sono levou
Aqui chegou, aqui estou
Ó anjo meu, que tanto procurei
                                          Diga-me, é este o céu que prometeste?
                                          Por que mereço o céu?
Olhe quantas almas pairando sobre seus próprios corpos no campo de batalha
Guerras fúteis, batalhas inúteis
Olhe a pobre criança que chora
É a vida que clama
É a fome que crema
Terão elas o céu?
Ó anjo meu, olha estes anjinhos,
Ó anjo meu, se prefere não me explicar, tudo bem
Aclara a elas, explica tu ó Pai,
Ensina a quem precisa
Ensina que cada um é responsável por si e por sua família
Ensina que o mundo é a grande família
A grande árvore, da qual somos todos frutos
                                          Eis o norte junto à noite!
Há de ser tu, és tu e ninguém mais
É hora de ensinar, é hora de aprender, é hora de iluminar.
.
Daniel Albherto Gabiatti.

Aquele velho búfalo


Aquele velho búfalo

Apenas fantasmas no espelho
                                          [Faça-os tentar novamente!]
Como estão as coisas que nunca fez?
Por onde andam as pessoas que nunca encontrou?
Essa é a chance que eu nunca tive?
                                          [Não pense, apenas faça
                                          Não queira, seja]
Não existem segundas chances, sabe agora.
Faça ou deixe de fazer,
Outra hora quem sabe tornará a ver uma porta aberta
Ainda assim não será sua segunda chance.
Existem milhas e milhas a trilhar
Anos e anos a viver
Pouca coisa não é o bastante.
                                         [Alce voo com as rédeas do vento
                                         Com as asas que os sonhos fornecem
                                         Lembrará de tudo o que não viveste
                                         Será quem ainda não és
                                         A vida, saiba, liberta]
Veja o búfalo na pintura do velho índio
Lutaram juntos contra o impossível
Não estavam sós,
Acompanhados de seus sonhos e de sua liberdade, propuseram-se a  voar
Hoje voam juntos, além do conhecido, sopram como o vento
São brisa, movem as folhas, formam ondas
                                         [Tenha sensibilidade,
                                         Na gota d’água que inunda o oceano
                                         Veja a eternidade]
Sabe, ainda há tempo para que o tempo te surpreenda
Se assim desejares
As pessoas ainda podem e vão te surpreender
                                         [É possível crescer.]
Seja responsável por sua alegria,
Por quem amas e por aqueles que não tiveram a chance de amar.
O grão de areia na praia não faz o sol nascer ou se por
Mas certamente embeleza singularmente a aurora e o crepúsculo.
O horizonte só é distante para quem não sabe caminhar
                                         [Caminhe]
A exemplo do velho índio descubra sua força
Deixe os fantasmas tentarem novamente
                                         [Não passam de simples sombra]
Lembra-te, uma pequena centelha dissipa a escuridão
Seja a luz do farol que guia aquele que caminha na sombra da noite
Seja a luz que ilumina seu próprio caminho
Aquele velho búfalo ainda pode muito,
Ainda há tempo para que o tempo te surpreenda.
.
Daniel Albherto Gabiatti.

Nada morre, tudo renasce.


Nada morre, tudo renasce.

Já é hora de vestir suas roupas
Tire seu pijama.
É dada a hora de levantar,
És uma estrela que como o sol brilha
                                         [Caso o sol se recusasse a nascer;
                                         Como ficaria seu entardecer junto ao mar?
                                         Caso as estrelas fugissem de casa;
                                         Como ficaria sua noite de luar?]
Não deixe de brilhar
Pessoas vêm e vão, fatos vêm e vão,
Nesse cíclico vai e vêm mitos nascem,
Mitos se vão.
Enquanto viveres grandes pessoas virão
Também grandes pessoas irão
Tudo esta acontecendo,
Como um grande rio, tudo flui
Flui como a gota d’água que a tudo empurra ou contorna
Até que encontra seu destino, formando oceanos           
                                         [Acredite;
                                         Não deixe de brilhar
                                         Não deixe de fluir
                                         Não deixe de viver]
Nada volta, tudo flui
Lembranças, perene somente estas,
O passado deveria estar morto, é o que dizes
Na realidade manténs o passado vivo
Em cada lágrima que a lembrança produz.
Saiba aprender com os exemplos
Belo é o exemplo das flores:
Pacientemente esperam o frio passar,
Enfrentam as noites de inverno
Eis que juntas formam o imenso jardim chamado primavera.
                                         [Bravos seguem em frente, intrépidos e fortes]
Continue, acredite, siga
À frente e ao infinito, sem medo e sem limites
Sem medo de si, sem medo de ser
Ser humano, ser sensível
Sem limites convenientes
Seja boa consigo mesma,
Sem tempo perdido ou limites impostos.
Lembranças pesam, apertam,
Lembra-te, a transcendência é o que difere o amor das banalidades mundanas
Mais ainda, entenda;
Não perdeste um pedaço de ti,
Ganhaste um anjo
Anjo este que olha por ti e sorri,
Sabe ele o quanto tens a brilhar,
Não deixe de brilhar,
Encontra teu oceano, floresça na primavera,
Assuma-te Fênix, renasça de tuas cinzas
E então novamente brilhe.
.
Daniel Albherto Gabiatti

Chamas de Outrora


Chamas de Outrora

Um louco fascinado por sorrisos
Portas dos sentimentos, portas que fascinam
A razão é simples na forma e complexa na substância
                                         [Um sorriso pode mudar o mundo;
                                         Um sorriso sincero, de fato muda]
Enquanto cai a chuva
Tenta encontrar o sonho que seu sono perdeu
                                         [Onde está você? Onde estamos? Onde estou?]
Relembra o que não viveram
Já não faz tanto frio
As lembranças vêm e vão
O calor da loucura aquece seu corpo e incendeia sua alma
Despertam-se sentimentos.
O sol, tímida e imponentemente, nasce
Mesmo que distante lembra que já é novo dia
Nova chance, novo roteiro, personagens os mesmos
Esses não mudam, não quer que mude
Um novo destino a sua escolha, à sua vontade
A mudança traz consigo incerteza
A inconstância do caminho causa medo
                                         [Permita-se
                                         Abra seu sorriso sempre que vier a tempestade
                                         Por certo, abrigo não lhe faltará]
Nada mais é que um trovão, agora sabe
Vá em frente, levanta-te,
Os homens maus a ti aqui não podem chegar
Verás tão belas chamas quanto às de outrora
Nada mais era que o som de sua cegueira
A qual parecia romper seus tímpanos
Toda tempestade é passageira                               
O sol nunca deixou de brilhar
                                         [Usa, criança, o inverno para que aprendas
                                         Aprenda a encontrar calor onde somente gelo existe
                                         Não clame por calor sem soltar sua pedra de gelo
                                         Sem fazer derreter o gelo que pulsa em seu peito]
Os dias são assim, precisam-se de novas chances, novas direções
Tão anestesiante quanto o que sente é a noção de que algo está mudando
                                         [Algo precisa mudar]
Não esquecera dos minutos junto àquele sorriso
Toda a loucura, gritos, sons, toda música
Evoluíra, crescera, aprendera
A música se findou, gritos não fazem mais sentido
Não compõe seus sentidos
Somente o som das palavras é agora audível
Tudo resumido a mais um sonho sem sono?
Quem poderá dizer?
Algo quer dizer?
.
Daniel Albherto Gabiatti

Real Insanidade


Real Insanidade

Aparenta ter tudo
Tudo o que tem é nada do que precisa
                                         [Enganada por suas próprias asas]
O vazio em seu peito torna sua existência agonizante
Alimenta esperanças quando sublima emoções dispondo-as no papel
Real somente fantasias tão racionais quanto a lógica que produz genocidas
Aos gritos agoniza, chora, ao seu redor nada fica no lugar
Paredes lhe servem de caderno
Como Dom Quixote, luta com moinhos de vento e barris de vinho
Contra a realidade, contra o mal que povoa de bondade corações desavisados
Familiariza-se com Midas
Rodeada por ouro,
Tão comum, nada mais é que pedra
Mesma pedra que pulsa em seu peito e que atira em quem se aproxima
                                         [Guardem sua bondade para o mal que alimentam!]
Escreve escondida de si mesma, contra seu egoísmo,
Custa a aceitar que alguém merece suas palavras…
                                         [“Por que você, por que eu?
                                         Seu corpo me leva a loucura
                                         Para onde voou? Por que quis voar?
                                         A mesma loucura que move o que conheço
                                         Por que esse mundo tem de girar?”]
Em sua cama litros vazios, marcas de cigarros no colchão e um corpo que morbidamente sorri
Ri da comédia da escoria que diz ser racionalmente normal,
Que se encontra anestesiada
De mãos atadas aos próprios preconceitos
                                         [Masoquistas por excelência!
                                         Entendam a redenção não esta em propriedades
                                         Está nos sentimentos
                                          Cultivem, cativem, alimentem-se]
Mas toda essa escoria planta frutos podres e esperam colher sementes agradáveis
Vendem sentimentos em uma loja de doces
“Gostosuras ou travessuras, escolha!”
Travessuras, sim, todos os dias
                                         [Onde está você,
                                         Será que ainda voa?
                                         Por que oitavo andar?]
Compartilhara tanto em tão pouco tempo
As fantasias tão reais que alimentara a fizeram voar
Fizeram-na encontrar suas asas e assinar a sua própria alforria
Para não mais rastejar
Não mais reclamar
Sentir-se liberdade
Sorrir, voar,
Nada mais.
.
Daniel Albherto Gabiatti